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Acordo de não persecução penal


Quem nunca assistiu aquelas séries de advogados na Netflix onde é comum assistirmos o Advogado de Defesa e o Ministério Público negociando um acordo?


Com o advento da Lei 13.964/19 o Direito Brasileiro passa a ter um instituto similar previsto no art. 28-A do Código de Processo Penal.


O citado artigo passa a vigorar com a seguinte redação:


Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não persecução penal, desde que necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições ajustadas cumulativa e alternativamente:

[...]


Mas o instituto passa longe do que é no Direito Americano.


Primeiro observamos que somente poderão se beneficiar com a medida as pessoas que tenham confessado o delito, que este possua uma pena mínima inferiores a 4 anos e não podendo estar revestido de grave ameaça ou violência contra a pessoa.


Além disso, por motivos óbvios, somente está abarcado pelo instituto aqueles delitos que também não podem ser objeto de transação penal dos termos da Lei 9.099.


Para que ocorra o acordo de não persecução penal, o Réu terá que assumir uma ou algumas condições nos termos dos incisos do citado artigo, os quais citamo:


[...]

I - reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-lo;

II - renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público como instrumentos, produto ou proveito do crime;

III - prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período correspondente à pena mínima cominada ao delito diminuída de um a dois terços, em local a ser indicado pelo juízo da execução, na forma do art. 46 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal);

IV - pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou de interesse social, a ser indicada pelo juízo da execução, que tenha, preferencialmente, como função proteger bens jurídicos iguais ou semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; ou

V - cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério Público, desde que proporcional e compatível com a infração penal imputada.

[...]


Vale lembrar também que o legislador adicionou em seu § 2º algumas causas em que o acordo de não persecução penal não poderá ser feito como:


[...]

I - se for cabível transação penal de competência dos Juizados Especiais Criminais, nos termos da lei;

II - se o investigado for reincidente ou se houver elementos probatórios que indiquem conduta criminal habitual, reiterada ou profissional, exceto se insignificantes as infrações penais pretéritas;

III - ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos anteriores ao cometimento da infração, em acordo de não persecução penal, transação penal ou suspensão condicional do processo; e

IV - nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar, ou praticados contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, em favor do agressor.

[...]


Como visto, o novo instituto visa uma mais rápida solução aos processos que possuem uma pena superior a 2 anos, contudo não ultrapassem 4, visando que esse processo não se alongue por anos no judiciário, podendo ser atingido pela prescrição, uma vez que vai incidir em crimes "menos graves".


Além disso vale destacar que o citado artigo possui uma sequencia de 14 parágrafos, onde regulam de forma geral o acordo de não persecução penal, como a possibilidade do Magistrado não homologar o acordo firmado.


Resumidamente, o acordo de não persecução penal nos parece um bom instituto, pois, poderá abreviar longos e caros processos judiciais, fazendo com que os mesmo sejam abreviados com o instituto, devendo os advogados criminalistas estarem atentos a esse benefício para os seus clientes.




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